Canabigerol (CBG): um novo alvo promissor para dor neuropática?

O interesse por canabinoides além de CBD e THC cresce à medida que novas evidências surgem. Entre esses compostos, o canabigerol (CBG) começa a chamar atenção como possível opção para dor neuropática, uma condição frequentemente difícil de tratar. Um estudo publicado em 2025 na revista Pharmaceuticals, liderado por pesquisadores brasileiros, investigou os efeitos do CBG em modelos experimentais e trouxe resultados que ajudam a entender seu potencial clínico e suas limitações.

O que o estudo mostrou

Os pesquisadores testaram um extrato de Cannabis sativa rico em CBG e com baixa concentração de THC, priorizando segurança e menor risco de efeitos psicoativos. Nos modelos experimentais de dor aguda e neuropática, o tratamento reduziu de forma significativa a resposta dolorosa, sugerindo ação tanto periférica quanto central.

No modelo de dor neuropática por ligadura do nervo espinhal, a administração oral de CBG por duas semanas diminuiu a hipersensibilidade térmica e mecânica. O efeito persistiu mesmo após o término do tratamento, o que indica potencial para uso contínuo em dor crônica.

Outro ponto relevante foi a tolerabilidade. Os animais não apresentaram sinais de sedação ou prejuízo motor, um achado importante para pacientes que já convivem com sonolência causada por outras terapias analgésicas.

Como o CBG pode atuar na dor neuropática

Assim, os resultados sugerem que o principal alvo do CBG é o receptor canabinoide CB2, associado a processos inflamatórios e imunológicos. Quando os pesquisadores bloquearam esse receptor, o efeito analgésico diminuiu, reforçando sua importância no mecanismo de ação.

Além disso, o tratamento reduziu a ativação da microglia na medula espinhal, células envolvidas na neuroinflamação e na manutenção da dor neuropática. Esse achado sugere que o CBG pode atuar modulando processos inflamatórios centrais, em vez de apenas interferir na transmissão neuronal da dor.

Outras vias também podem contribuir, incluindo canais de sódio periféricos e mecanismos de inibição da transmissão nociceptiva.

Rigor experimental e limites

O estudo utilizou modelos animais bem estabelecidos e adotou procedimentos metodológicos robustos, como avaliação cega e análise estatística apropriada. Ainda assim, os próprios autores destacam limitações importantes para a tradução clínica.

Os experimentos incluíram apenas animais machos, o que restringe a generalização dos resultados. Também foi testada uma única dose e via de administração, sem avaliação de dose-resposta. Além disso, modelos experimentais não reproduzem completamente a complexidade da dor neuropática em humanos, que envolve comorbidades e uso simultâneo de múltiplos medicamentos.

O que ainda precisamos saber

Apesar dos resultados promissores, a evidência permanece pré-clínica. Estudos futuros deverão avaliar segurança a longo prazo, diferenças entre sexos, interação com terapias padrão e eficácia em humanos.

Um caminho possível seria a realização de ensaios clínicos piloto em neuropatias periféricas, como a neuropatia induzida por quimioterapia, onde as opções terapêuticas ainda são limitadas.

Por que o CBG desperta interesse

A busca por alternativas aos opioides e a terapias com efeitos adversos significativos impulsiona o estudo de novos canabinoides. O CBG pode oferecer analgesia com menor risco de efeitos psicoativos, especialmente em formulações com baixo teor de THC.

No entanto, transformar descobertas experimentais em terapias seguras exige etapas rigorosas de pesquisa clínica e regulação.

Em síntese

O canabigerol surge como um candidato promissor para o tratamento da dor neuropática, principalmente por atuar em mecanismos inflamatórios centrais associados ao receptor CB2. Ainda assim, o avanço dependerá de estudos em humanos que confirmem eficácia, segurança e dose adequada.

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